Cultura
Com Secchin, ASL realizou mais um evento literário de sucesso
Aos 72 anos, sua trajetória tem lugar de excelência na galeria dos grandes autores literários brasileiros. Escritor, poeta, ensaísta, crítico e professor, assina obras que não podem faltar às melhores bibliotecas.
Dom, 30 Março de 2025 | Fonte: Edson Moraes
Desde agosto de 2004 o carioca Antonio Carlos Secchin é o titular da cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Aos 72 anos, sua trajetória tem lugar de excelência na galeria dos grandes autores literários brasileiros. Escritor, poeta, ensaísta, crítico e professor, assina obras que não podem faltar às melhores bibliotecas.
Sua vasta e profunda coleção autoral percorre obras críticas e ensaios (“João Cabral: a Poesia do Menos”, “Duas Cidades”, “Poesia e Desordem”, “Cruz e Sousa, o Desterro do Corpo”, “Um Mar à Margem: o Motivo Marinho na Poesia Brasileira do Romantismo”, “João Cabral: uma Fala só Lâmina”); poesia (“A Ilha”, “ Ária de Estação “, “Todos os Ventos”, “50 Poemas Escolhidos”, “Eus & Outras”); ficção; participação em antologias e artigos.
Leitor e pesquisador dos grandes nomes da literatura, entre os quais Cecília Meireles e João Cabral de Melo Neto, aos quais dedicou alguns de seus livros, Secchin esteve em Campo Grande na quinta-feira, 27, a convite da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL). Era para uma palestra do Chá Acadêmico promovido pela academia, com o tema “Iracema – de José de Alencar a Chico Buarque”. O acontecimento abriu a programação anual do Projeto “ABL na ASL: Palestras Imortais”, em parceria com a Universidade Federal (UFMS) e a Confraria Sociartista.
INICIATIVA IMPORTANTE - Secchin destacou o alcance de iniciativas como o Chá Acadêmico e elogiou os colegas imortais sul-mato-grossenses pelo interesse em ampliar e estreitar cada vez mais a instituição e o conjunto da sociedade. Depois de frisar que a ABL percorre a trilha de popularização da literatura, elegendo autores de segmentos até então fora do colegiado, como os indígenas e os afrodescendentes, disse que a ASL cumpre papel importantíssimo neste contexto.
Na entrevista à ASL, Secchin enfatizou suas abordagens sobre as semelhanças e diferenças entre João Cabral de Melo Neto e de um quase antagonismo histórico entre os modernistas Mário de Andrade e Cecília Meireles. “Estudei dois poetas que seriam quase opostos e são duas de minhas especialidades. Percebi que o João Cabral não gostava muito da Cecília, apesar de, curiosamente, terem alguns pontos de afinidade, como o apego à literatura espanhola. Cecília também não escrevia sonetos, de formas fixas, Cabral também evitava”, salientou.
Ele também descreveu resumidamente algumas incursões por obras de escritores de influências e escolas variadas, citando além de Melo Neto e da “lírica” Cecília Meireles outras expressões da literatura brasileira, entre as quais Manoel de Barros. Na palestra, Secchin fez instigante passeio no território romântico e provocativo de “Iracema”, a obra imortal de José de Alencar, que suscitou, inclusive, versões desidealizadas.
Uma destas desidealizações é a canção “Iracema Voou”, de Chico Buarque, que diz: Iracema voou para a América/Leva roupa de lã e anda lépida/Vê um filme de quando em vez/Não domina o idioma inglês/Lava chão numa casa de chá/Tem saído ao luar com um mímico/Ambiciona estudar canto lírico /Não dá mole pra polícia/Se puder, vai ficando por lá/Tem saudade do Ceará, mas não muita/Uns dias, afoita, me liga a cobrar:
-- É Iracema da América”
Quem foi à sede da ASL participar do evento saboreou excelentes opções artísticas e culturais. Na entrada, os artistas visuais Lúcia Monte Serrate realizavam suas pinturas ao vivo pelo Projeto “Arte na Academia”. No auditório, outro projeto, o “Música Erudita e suas Fronteiras”, oferecia ao público as aplaudidas performances do músico Pieter Rahmeier e do intérprete Pedro Vicente. O presidente da ASL, Henrique Medeiros, disse que o sucesso daquela noite se deve aos acadêmicos da ASL, “que não mediram esforços para garantir mais esta oferta de cultura à sociedade”.
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