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Troca de prisioneiros: Hamas entrega 20 israelenses e 2 mil palestinos deixam prisões de Israel, 154 para exílio forçado
Expulsão de palestinos viola direito internacional e os impede de se reunirem com suas famílias.
Seg, 13 Outubro de 2025 | Fonte: Brasil de Fato
O Hamas libertou nesta segunda-feira (15) todos os 20 prisioneiros israelenses vivos que mantinha na Faixa de Gaza, com a libertação de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos por Israel em andamento, enquanto ambos os lados cumprem as condições do acordo de cessar-fogo.
Os preparativos para a libertação de prisioneiros palestinos mantidos em prisões israelenses progrediam, com ônibus sendo vistos do lado de fora da prisão militar de Ofer, na Cisjordânia ocupada. Um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que os prisioneiros seriam libertados assim que Israel recebesse a confirmação de que todos os reféns vivos estivessem em território israelense.
Os prisioneiros israelenses estavam em boas condições, caminhando sozinhos, sem assistência, segundo a imprensa no local. Israel, entretanto, não espera que a repatriação dos corpos dos 28 prisioneiros restantes seja concluída na segunda-feira, apesar do prazo de 72 horas acordado no acordo.
Mas familiares de muitos dos prisioneiros palestinos libertados por Israel sob um acordo de troca dizem que sua tão esperada liberdade é agridoce após saberem que seus entes queridos seriam deportados para terceiros países.
Exílio ilegal para palestinos
Pelo menos 154 prisioneiros palestinos libertados na segunda-feira como parte da troca por prisioneiros israelenses mantidos em Gaza serão forçados ao exílio por Israel, informou o Escritório de Imprensa dos Prisioneiros Palestinos. Os que serão deportados fazem parte de um grupo maior de palestinos libertados por Israel – 250 pessoas detidas em prisões israelenses, além de cerca de 1,7 mil palestinos capturados na Faixa de Gaza durante dois anos de genocídio, muitos dos quais foram “desaparecidos à força”, segundo as Nações Unidas.
Ainda não há detalhes sobre para onde os palestinos libertados serão enviados, mas em uma libertação anterior de prisioneiros em janeiro, dezenas de detidos foram deportados para países da região, incluindo Tunísia, Argélia e Turquia. Especialistas ouvidos pela Al Jazeera disseram que o exílio forçado viola os direitos de cidadania dos prisioneiros libertados e é uma demonstração da duplicidade de critérios que cerca os acordos de troca. “É evidente que é ilegal”, disse Tamer Qarmout, professor associado de políticas públicas no Instituto de Estudos de Pós-Graduação de Doha.
“É ilegal porque são cidadãos da Palestina. Eles não têm outras cidadanias. Saem de uma prisão pequena, mas são enviados para uma prisão maior, longe de sua sociedade, para novos países nos quais enfrentarão grandes restrições. É desumano.”
Muitas famílias palestinas foram surpreendidas com a notícia de última hora. O exílio significa que as famílias não vão conseguir viajar para o exterior para encontrá-los, devido ao controle israelense das fronteiras. À Al Jazeera, Qarmout disse que as deportações visam privar o Hamas e outros grupos palestinos de reivindicar qualquer ganho simbólico com a troca e afastar os prisioneiros deportados de qualquer envolvimento em atividades políticas ou de outra natureza.
“O exílio significa o fim do futuro político deles”, disse ele. “Nos países para onde forem, enfrentarão restrições extremas, de modo que não poderão atuar em nenhuma frente relacionada ao conflito.”
Ele afirmou que as deportações equivalem ao deslocamento forçado dos prisioneiros libertados e à punição coletiva de suas famílias, que seriam separadas de seus entes queridos exilados ou forçadas a deixar sua terra natal se Israel lhes permitisse viajar para se juntar a eles.
“É uma situação vantajosa para Israel”, disse ele, contrastando suas experiências com as dos prisioneiros israelenses libertados, que poderão retomar suas vidas em Israel.
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