Política
Lula estuda vetar importação de produtos de assentamentos israelenses na Cisjordânia
Planalto analisa medidas comerciais após decisões da CIJ sobre a ocupação palestina.
Qui, 11 Dezembro de 2025 | Fonte: Brasil 247
O governo brasileiro avalia uma série de ações para limitar a entrada no país de mercadorias produzidas em assentamentos israelenses na Cisjordânia, como parte da resposta oficial à ocupação do território palestino. A iniciativa foi discutida em uma reunião realizada no Ministério das Relações Exteriores na última terça-feira (9). As informações são da Folha de São Paulo.
A proposta envolve diversos ministérios e busca ajustar a política externa brasileira às determinações da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que, em julho de 2024, afirmou que Israel deve pôr fim “o mais rápido possível” à sua presença no território palestino ocupado. Segundo o ofício de convocação assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o encontro teve como objetivo identificar providências necessárias ao cumprimento das obrigações internacionais assumidas pelo Brasil.
O Itamaraty também citou, no mesmo documento, a resolução aprovada pela Assembleia-Geral da ONU em setembro de 2024. O texto recomenda que os países evitem qualquer medida que possa ser interpretada como reconhecimento indireto da legalidade da presença israelense no Território Palestino Ocupado (TPO). Entre as ações consideradas possíveis, segundo o chanceler, está o impedimento de relações comerciais ou investimentos que contribuam para a manutenção da ocupação.
De acordo com o ofício, o governo avalia ainda “adotar medidas com vistas a cessar a importação de quaisquer produtos originários dos assentamentos israelenses”, além de suspender o fornecimento de armas, munições e equipamentos correlatos a Israel quando houver suspeita de uso no território ocupado. O documento também recorda a posição histórica da diplomacia brasileira: “O Brasil reconheceu, em 2010, o Estado da Palestina ‘nas fronteiras de 1967’, o que significa que não reconhece a soberania de Israel sobre o TPO”, registrou Mauro Vieira.
Embora as importações brasileiras provenientes de Israel tenham somado cerca de US$ 1,1 bilhão em 2024, o impacto econômico de eventuais restrições tende a ser limitado. Os produtos oriundos de assentamentos não figuram entre os itens mais relevantes da pauta bilateral — principalmente pedras, vinhos e tâmaras. Além disso, autoridades reconhecem que mapear a origem exata desses bens é um desafio, já que muitas declarações de procedência são genéricas.
Fontes que acompanham as discussões afirmaram que outra medida em análise é a suspensão das preferências tarifárias do acordo de livre comércio entre Brasil e Israel para produtos fabricados em assentamentos. Dessa forma, itens vindos do território ocupado não se beneficiariam do regime especial garantido pelo tratado.
Integrantes do governo ouvidos sob anonimato disseram que tanto a decisão da CIJ quanto a resolução da Assembleia-Geral reforçam o respaldo jurídico para a adoção de sanções comerciais. Porém, destacaram que o debate ainda envolve a compatibilização dessas possíveis ações com o ordenamento jurídico brasileiro e a definição do instrumento legal adequado para implementá-las.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que as medidas sob análise abrangem comércio internacional, produtos de defesa e cooperação judicial. “Como se recorda, a CIJ ressaltou a obrigação dos países de distinguir entre Israel e os territórios palestinos ilegalmente ocupados no seu relacionamento com Israel”, afirmou a pasta. O órgão também confirmou que ainda não há mapeamento de bens que seriam afetados e que nem a CIJ nem a ONU estabeleceram prazos para adoção das medidas.
Sobre o acordo Mercosul-Israel, o Itamaraty reiterou que o tratado “já se aplica apenas a Israel e não a produtos oriundos dos territórios ocupados, que não fazem parte de Israel”. A pasta reforçou que a Receita Federal mantém um canal de denúncias para casos de falsa declaração de origem envolvendo mercadorias provenientes do TPO.
Veja Também
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que está ocorrendo em Gaza não só extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilamento de seu sonh...
Proibido de viajar à Nova York por ter tido o visto negado pelo governo Trump, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, discursou ...
Dos cerca de 1,6 mil jornalistas profissionais registrados na Faixa de Gaza, 252 foram mortos em ataques israelenses desde o início da ofensiva no enclave pa...
O Hamas libertou nesta segunda-feira (15) todos os 20 prisioneiros israelenses vivos que mantinha na Faixa de Gaza, com a libertação de cerca de 2 mil prisio...
Últimas Notícias
- 20 de Julho de 2026 Eleições 2026: mais de 2 milhões de eleitores estão aptos a votar em MS
- 20 de Julho de 2026 Patrulha Maria da Penha prende homem em flagrante por descumprimento de medida protetiva contra a própria mãe em Corumbá
- 20 de Julho de 2026 Com nova lei, Anvisa prevê maior rapidez na aprovação de medicamentos
- 20 de Julho de 2026 Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção para CNH física ou digital aos condutores
- 20 de Julho de 2026 Curso forma profissionais para inclusão de migrantes e refugiados no ensino
- 20 de Julho de 2026 Bailarino do Moinho Cultural embarca para o Festival de Dança de Joinville
- 20 de Julho de 2026 Prefeitura promove treinamento sobre nova plataforma de prestação de contas para OSCIPs
- 20 de Julho de 2026 Raízen vende Usina Caarapó à Adecoagro por R$ 760 milhões
- 20 de Julho de 2026 Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar nas Eleições 2026
- 20 de Julho de 2026 Joesley Batista pede valor bilionário para vender mina à Vale
- 20 de Julho de 2026 Sul-mato-grossenses aceleram doação de imóveis antes de alta do imposto com a Reforma Tributária
- 20 de Julho de 2026 Votorantim Cimentos abre inscrições em Corumbá para curso de Mecânica Industrial
- 20 de Julho de 2026 Sondagem industrial aponta estabilidade da produção em MS em junho, indica Observatório da Fiems
- 20 de Julho de 2026 Mercado reduz expectativa de inflação para 5,15% em 2026. Projeções para PIB, dólar e Selic permanecem estáveis
- 20 de Julho de 2026 Prefeitura realiza mutirão de limpeza e dedetização nas escolas da REME durante recesso