Meio Ambiente
COP15 terá lançamento de plataforma inédita para mitigar atropelamentos de animais em rodovias
Plataforma denominada Cofauna, envolve uma iniciativa do MPMS, por meio do Núcleo Ambiental, coordenada com um trabalho conjunto envolvendo o IHP, IPÊ, SOS Pantanal, Onçafari, ICAS e Instituto Libio.
Sáb, 21 Março de 2026 | Fonte: Assessoria de Imprensa IHP

Durante a realização da COP15 – Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), no dia 24 de março, no Espaço Conexão Sem Fronteiras, localizado no Parque Estadual das Nações Indígenas (ao lado do Bioparque), às 15h, haverá o lançamento de uma plataforma inédita em Mato Grosso do Sul para contribuir na mitigação sobre os atropelamentos de fauna em rodovias do Estado, com destaque para a BR-262, que corta o Pantanal. Essa plataforma, denominada Cofauna (Mapa de Colisões com a Fauna), envolve uma iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Núcleo Ambiental, coordenada com um trabalho conjunto envolvendo o Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), SOS Pantanal, Onçafari, Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), Instituto Libio.
Essas seis instituições com atividades de conservação no Pantanal e em outro territórios formam o Observatório Rodovias Seguras para Todos.
Essa proposta ainda recebeu chancela do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para ser lançado oficialmente durante o evento internacional, que acontece em Campo Grande, de 23 a 29 de março.
De acordo com o Promotor de Justiça e Coordenador do Núcleo Ambiental, Luciano Furtado Loubet, o Cofauna é uma plataforma digital e georreferenciada desenhada para monitorar atropelamentos de animais silvestres nas rodovias estaduais e federais de Mato Grosso do Sul, além de incluir dados do perímetro urbano da capital através do Projeto Quapivara do MPMS. “O objetivo central do mapa é transformar dados brutos em inteligência ambiental. Com a identificação exata dos pontos de maior incidência de colisões, o Cofauna torna-se uma ferramenta indispensável para planejamento ambiental, políticas públicas, proteção de espécies e segurança viária”, explica o promotor Luciano Furtado Loubet.
Com o aprimoramento da análise do cenário de atropelamento da fauna em rodovias de Mato Grosso do Sul, o Cofauna vai permitir melhor orientação para o licenciamento de novas vias e concessões, subsidiar a instalação de passagens de fauna e cercamentos (como já vem ocorrendo na BR-262), mitigar o impacto sobre animais residentes e migratórios e reduzir o risco de acidentes que também vitimam condutores e passageiros.
Fórum Rota Sustentável
O desenvolvimento do Cofauna ainda envolveu um trabalho que foi iniciado com o Fórum Rota Sustentável de Prevenção a Colisões com a Fauna Silvestre, criado em 2024 sob coordenação do MPMS. O grupo reúne o esforço conjunto de órgãos públicos (como TCE, IBAMA, IMASUL, PRF e PRE), universidades (UFMS e UEMS) e organizações da sociedade civil (ICAS, SOS Pantanal e Instituto Homem Pantaneiro).
Desde sua criação, o Fórum tem sido uma voz técnica ativa em processos de concessão de rodovias importantes, como as MS-040, MS-338 e MS-395, além das federais BR-262 e BR-267. Em 2025, a atuação resultou em vistorias técnicas que identificaram a necessidade de cercamento integral em trechos críticos, como a MS-345, garantindo que as medidas mitigatórias sejam instaladas onde são realmente necessárias.
Além do mapeamento, o MPMS e os membros do Fórum articularam, junto à Agesul e ao Imasul, posicionamentos técnicos para a consulta pública do DNIT sobre normas de cercas de proteção. O objetivo é padronizar e elevar o rigor técnico das barreiras físicas que evitam a entrada de animais na pista.
Estudos sobre a BR-262
A rodovia BR-262 é a única pista pavimentada a cortar o Pantanal, por isso tem um trabalho de monitoramento com o engajamento do IHP. A onça-pintada, por exemplo, Símbolo Brasileiro da Conservação da Biodiversidade e uma espécie migratória, é uma das espécies vitimadas com atropelamentos, principalmente no trecho entre Miranda e Corumbá, de cerca de 200 km. Levantamento do IHP dos casos de atropelamento envolvendo a espécie no período entre 2016 e 2025 já contabilizou, até o dia 24/06/2025, a morte de 21 animais. Veja mais dados a serem consultados neste link.
Esse levantamento realizado pela equipe do IHP busca elaborar um recorte do impacto que o atropelamento pode causar para a espécie. Além disso, é importante ponderar que outras mortes de onças-pintadas em decorrência de atropelamentos podem ter ocorrido, porém não foram relatadas às autoridades ou a instituições, bem como o animal pode ter morrido em área distante da rodovia, sem ter ocorrida a visualização do mesmo.
Na lista vermelha da União Nacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês), a onça-pintada está ameaçada. Pelo Salve, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a espécie está classificada como vulnerável. Além disso, a espécie tem uma importância fundamental para a biodiversidade do Pantanal e do Brasil e está em curso o segundo ciclo do Plano de Ação Nacional dos Grandes Felinos, do Centro de Pesquisa, Manejo e Conservação de espécies de mamíferos carnívoros (Cenap), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
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