Política
Bolívia revoga decreto sobre combustíveis após pressão sindical e acordo com movimentos sociais
Governo boliviano confirma anulação parcial do decreto após acordo e promete manter medidas econômicas como salários, bônus e política de combustíveis.
Seg, 12 Janeiro de 2026 | Fonte: Brasil 247

O governo da Bolívia anunciou neste domingo a revogação do Decreto Supremo 5503, após semanas de intensas mobilizações sociais, bloqueios de estradas e protestos liderados pelo movimento sindical em diversas regiões do país. A decisão foi tomada depois de um acordo entre o Executivo e organizações populares, que prevê a elaboração imediata de uma nova norma construída de forma conjunta, mantendo apenas os pontos econômicos considerados centrais pelo governo.
A informação foi divulgada pela teleSUR, com base em declarações oficiais e falas de dirigentes sindicais e ministros bolivianos envolvidos nas negociações. O decreto vinha sendo alvo de forte rejeição social por provocar aumento nos preços dos combustíveis, do transporte e da cesta básica, razão pela qual passou a ser chamado popularmente de “gasolinazo”.
Segundo o ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, o Executivo decidiu anular os artigos mais controversos do decreto, preservando, no entanto, os aspectos econômicos. “Mantemos a parte econômica do decreto, o restante anulamos, e será elaborado um novo decreto em conjunto com as organizações sociais”, afirmou. Ele acrescentou que, como parte do entendimento firmado, “as medidas de pressão e os bloqueios devem ser suspensos de maneira imediata”.
À frente das mobilizações esteve a Central Obrera Boliviana (COB). Em declarações aos manifestantes, o secretário executivo da entidade, Mario Argollo, destacou o resultado político da pressão popular. “A luta de vocês não foi em vão, deu frutos”, afirmou. Em outra fala, reforçou a importância da unidade social: “quando estamos unidos, ninguém vai nos submeter”.
Argollo também confirmou que, após a assinatura do acordo com o Executivo, as medidas de pressão começaram a ser suspensas em todo o país. “Aqui não perderam ministros, não ganharam os dirigentes, aqui ganhou a Bolívia”, declarou, ressaltando que o entendimento representa uma vitória coletiva do povo trabalhador, dos camponeses, das classes médias e de outros setores sociais mobilizados.
Apesar do anúncio do fim dos bloqueios, tanto a COB quanto a Federação Sindical de Trabalhadores Camponeses Túpac Katari de La Paz decidiram manter estado de emergência. O dirigente sindical estabeleceu ainda um prazo de 24 horas para a redação do novo decreto, que deverá ser elaborado com participação direta das organizações sociais.
O ministro de Governo detalhou que a nova norma vai preservar pontos como a retirada da subvenção aos combustíveis, o aumento do salário mínimo nacional e a manutenção dos bônus sociais. “Será redigido um novo decreto com as organizações sociais, preservando a parte econômica, a eliminação da subvenção aos combustíveis, o aumento do salário mínimo nacional e os bônus”, explicou.
O acordo foi alcançado após uma rodada de diálogo entre dirigentes da COB, federações camponesas e seis ministros de Estado, entre eles os responsáveis pelas pastas da Presidência, da Economia e Finanças Públicas e do próprio Governo. As negociações ocorreram na sede da Federação Sindical de Trabalhadores Camponeses Túpac Katari, na cidade de El Alto.
Para evitar um possível vazio jurídico, o ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, informou que o governo trabalhará com decretos paralelos. “É preciso anular o que eles não querem e transferir o que estão aceitando para outro decreto”, disse, confirmando que seguirão vigentes os artigos relacionados a combustíveis, bônus sociais e salários.
Já o ministro da Presidência, José Luis Lupo, defendeu a retirada da subvenção como uma medida estrutural para o país. “Sem estabilidade não há nada. A eliminação do subsídio deve vir acompanhada de compensações aos setores vulneráveis e da manutenção dos bônus”, afirmou.
Veja Também
O ex-presidente da Bolívia Luis Arce foi detido nesta quarta-feira (10) na capital La Paz, segundo denunciou a ex-ministra da Presidência, María Nela Prada. ...
Últimas Notícias
- 03 de Junho de 2026 Cidade Dom Bosco promove concurso de tapetes de Corpus Christi com jovens da Família Salesiana em Corumbá
- 03 de Junho de 2026 Prefeitura convoca professores aprovados em Processo Simplificado para reforçar a REME
- 03 de Junho de 2026 Concurso de Andores do São João de Ladário 2026 abre inscrições com premiação de até R$ 3 mil
- 03 de Junho de 2026 Américo Calheiros lança o livro “Suicígena” na próxima terça-feira
- 03 de Junho de 2026 Romaria do Cerrado e Pantanal reúne povos em defesa das águas e dos territórios em Corumbá
- 03 de Junho de 2026 Com valor inicial reduzido em um terço, propriedade em Bonito (MS) vai a novo leilão
- 03 de Junho de 2026 Fundação de Cultura lança edital para seleção de projetos de Festividades Culturais Populares e Tradicionais
- 03 de Junho de 2026 Cia Infanto-Juvenil do Moinho Cultural promove vaquinha para participar do Prêmio Onça Pintada, em Campo Grande
- 03 de Junho de 2026 Senado anula norma sobre aborto legal em crianças vítimas de estupro
- 03 de Junho de 2026 Caminhoneiro que saiu de Corumbá com 583 quilos de drogas foi detido pela PRF na BR-262
- 03 de Junho de 2026 Prefeitura empossa Conselho Fiscal do FUNPREV para mandato 2026/2027 em Corumbá
- 03 de Junho de 2026 Decreto de emergência ambiental reforça preparação do Governo de MS para enfrentamento a incêndios florestais
- 03 de Junho de 2026 Edital de Convocação para Audiência Pública de apresentação do RIMA de Expansão do Terminal Privativo Gregório Curvo da Lhg Mining
- 03 de Junho de 2026 Mato Grosso do Sul tem 27 mil pessoas que deixaram Mais Social após melhorar de vida
- 03 de Junho de 2026 Banho de São João terá shows, concursos culturais e celebração da tradição de Corumbá