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Política

Para Reinaldo, responsabilidade é seu maior legado para MS

Em entrevista para o Correio de Corumbá, o governador exalta regionalização da Saúde, contas em dia e capacidade de investimento ao deixar Parque dos Poderes após oito anos

Seg, 19 Dezembro de 2022 | Fonte: Da Redação


Para Reinaldo, responsabilidade é seu maior legado para MS
Fotos: Chico Ribeiro

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) vive os últimos dias de sua gestão com a certeza de que deixa para seu sucessor um Mato Grosso do Sul preparado para decolar. Segundo ele, as contas estão em dia e há dinheiro no cofre para pôr em prática os planos do também tucano Eduardo Riedel, eleito este ano com sua bênção.
     

Mas até chegar à quinzena final de seus oito anos de governo, Reinaldo precisou enfrentar turbulências. A aprovação de medidas nada populares, como a reforma da previdência e a mudança nas alíquotas do Fundersul (Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul), tumultuaram a relação do governador com duas de suas principais bases de sustentação: servidores públicos e produtores rurais. Episódios que testaram a habilidade política e a resiliência do chefe do Executivo estadual.
     

Na Saúde, a aposta foi reduzir as longas filas de espera por exames e cirurgias por meio de um mutirão itinerante. A Caravana da Saúde dividiu opiniões, mas alcançou mais de um terço dos municípios do Estado. Reformas, ampliações e equipagem de unidades foram realizadas em paralelo aos atendimentos.
    

A pandemia de covid-19 também pôs à prova um sistema de Saúde tido como fragilizado há décadas. Mato Grosso do Sul buscou enfrentar o vírus por meio de decisões tomadas a partir de um comitê interdisciplinar: o Prosseguir. Quando chegou a vacina, o governo estadual se valeu da logística veloz na distribuição das doses para disponibilizar o imunizante aos 79 municípios em menos de 24 horas.
   

Na região de Corumbá e Ladário, o governo de Reinaldo Azambuja concentrou obras de infraestrutura viária e empreendimentos de habitação popular. Um programa de energia solar levou luz à população ribeirinha e para áreas mais remotas do Pantanal. De quebra, a iniciativa acabou premiada e reconhecida mundialmente.
    

Dois mandatos depois e com um governo de continuidade à vista, Reinaldo aponta a responsabilidade como sendo o maior legado de sua gestão. Em entrevista exclusiva ao Correio de Corumbá, o ainda governador fez um balanço dos anos à frente de Mato Grosso do Sul e deixou seu futuro em aberto. Uma coisa é certa: descanso com a família e a boa e velha pescaria estão nos planos.

Correio de Corumbá: O senhor já disse que pegou o Estado “quebrado”. Passados quase oito anos de gestão, em que situação o senhor entrega as contas e os cofres para seu sucessor?
Reinaldo Azambuja: Há 8 anos, o Estado estava quebrado. Não sou eu quem está dizendo isso. São os dados que estão aí para todos verem. Estávamos na letra D, último lugar no ranking da Capag, do Tesouro Nacional, sem capacidade de cumprir os compromissos. Iniciamos o governo em 2015 com aumento de 17,8% na folha de pagamento, porque a administração anterior havia dado toda uma revisão dos planos de cargos e carreiras dos servidores em 2013, mas para implantar em dezembro de 2014, e tivemos que pagar a conta. Herdamos ainda mais de 200 obras inacabadas, que foram concluídas por meio do programa Obra Inacabada Zero, sendo a última o Bioparque Pantanal, antigo Aquário do Pantanal. Para sair dessa situação foi preciso tomar medidas duras, mas necessárias, incluindo as reformas estruturantes: a administrativa, a previdência e a criação de um teto de gastos para todos os poderes. Enfrentamos as dificuldades, a intolerância de alguns. Agimos com responsabilidade. Decidimos gastar menos com o governo para investir mais nas pessoas. Aprimoramos os mecanismos de transparência. Estávamos na última posição, na lanterninha, e hoje somos os primeiros. A consequência disso está aí: investimentos em todos os municípios, obras de infraestrutura, empregos e atração também de capital privado, graças à credibilidade que conquistamos. Mato Grosso do Sul cumpriu todas as obrigações rigorosamente; alcançamos nova posição em solidez fiscal; nota 10 em transparência; somos o Estado que mais cresce o PIB [Produto Interno Bruto]. Neste mês, estamos pagando três folhas salariais, inclusive a de dezembro, que normalmente seria paga em janeiro. E estamos deixando dinheiro em caixa para a conclusão de todas as obras que não conseguirmos terminar.

Para Reinaldo, responsabilidade é seu maior legado para MS

CC: Seu governo conseguiu aprovar reformas e pautas tidas impopulares. A reforma da previdência estadual é um exemplo. As mudanças no Fundersul e também na alíquota do ICMS dos combustíveis, outros exemplos. Como avalia esses momentos? Foram os que exigiram maior habilidade política de sua gestão?
RA: Foram medidas duras e até impopulares, mas extremamente importantes para vivermos o momento em que estamos: contas em dia, solvência, capacidade de investimento e obras nos 79 municípios. O governante deve tomar decisões sob o risco de deixar o Estado quebrar. Nós vimos estados sem conseguir pagar salário, quanto mais fazer investimentos. Optamos por agir com responsabilidade, deixar a casa em ordem, para conseguir devolver o dinheiro dos impostos em investimentos e ações. Mato Grosso do Sul é o Estado com maior volume de investimentos por habitante de todo o País. Além disso, implantamos programas importantes para estender as mãos a quem mais precisa, como o Mais Social, Energia Social e o CNH Social.

CC: Ainda neste assunto, a relação do Executivo com a Assembleia Legislativa foi sempre harmoniosa no seu governo. Qual foi o peso disso para pôr em prática seu projeto para o Estado?
RA: Eu tenho uma gratidão pela parceria e responsabilidade dos deputados estaduais na defesa das causas do Estado, mesmo quando foi necessário tomar medidas amargas para garantir a sustentabilidade da máquina pública estadual. Os outros poderes e a bancada federal também desempenharam um papel de destaque na defesa dos interesses da população. Ninguém governa sozinho. Precisamos de equipe e de parceria e a Assembleia Legislativa, nesses 8 anos, nunca fugiu do seu compromisso com o futuro de Mato Grosso do Sul. Não seria possível fazer as entregas que estão sendo feitas sem a atuação responsável dos deputados estaduais.

CC: Qual projeto, obra ou programa o senhor enxerga como sendo o seu maior legado para o Estado?
RA: O legado que nós deixamos é o da responsabilidade e de um governo para as pessoas. Com planejamento e responsabilidade, gastamos menos com o governo para investir mais nas pessoas. Essa é a nossa motivação, ter um Mato Grosso do Sul que atrai indústrias e gera empregos, e que estende as mãos para quem mais precisa.

CC: Na área de Saúde, a Caravana da Saúde inovou e ajudou a diminuir filas de cirurgias eletivas. Por outro lado, recebeu críticas de quem esperava soluções mais definitivas. O senhor acredita que a Caravana foi um acerto de seu governo?
RA: A Caravana da Saúde combateu a fila da vergonha de consultas, exames e cirurgias. Na última etapa, em seis meses, os projetos Opera MS e Examina MS atenderam mais de 76 mil moradores em Mato Grosso do Sul, nos 30 municípios que aderiram ao projeto. Mas a Caravana foi muito além do mutirão. Construímos, reformamos, ampliamos e equipamos hospitais em todo o Estado ao mesmo tempo em que fazíamos os atendimentos. A regionalização da saúde faz parte disso, com a construção dos hospitais regionais de Dourados e de Três Lagoas, por exemplo, a hemodiálise em Coxim, a ampliação do Hospital Marechal Rondon, que triplicou a capacidade de atendimento na microrregião de saúde de Jardim, e a reforma no Hospital de Câncer Alfredo Abrão.

Para Reinaldo, responsabilidade é seu maior legado para MS
No primeiro ano de governo, Reinaldo inovou com a Caravana da Saúde. (Foto: Arquivo Correio de Corumbá)

CC: Seu governo conseguiu descentralizar os atendimentos e regionalizar a saúde do Estado?
RA: Quando assumimos o governo, em 2015, 46% das internações de alta e média complexidade eram feitas em Campo Grande. Era a chamada “ambulancioterapia”. Com a regionalização da saúde, a construção, reforma e estruturação desses hospitais, esse índice de internações na Capital caiu para 10%. Hoje a saúde está mais perto das pessoas.

CC: Ainda falando em saúde, a pandemia de coronavírus testou os limites do sistema de saúde local. O enfrentamento à doença, desde as medidas restritivas até a vacinação, foi o maior desafio de sua gestão?
RA: Foi um grande desafio, sem dúvida. Duas semanas antes da confirmação do primeiro caso de covid-19 em Mato Grosso do Sul, em 31 de janeiro de 2020, criamos o COE-MS [Centro de Operações Especiais contra o Coronavírus]. Já em junho do mesmo ano foi a vez de criar o Prosseguir, o principal instrumento de tomada de decisões com os municípios. Então, trabalhamos em duas frentes: na área de saúde, para combater a doença; e na área econômica, para reduzir os impactos. Criamos protocolos de biossegurança, com foco na saúde das pessoas, na preservação da vida, mas também fizemos uma série de medidas para minimizar os impactos econômicos principalmente das pessoas menos favorecidas. O desafio foi enorme porque foi algo inédito, desconhecido, em que todo mundo perdeu: dona de casa, trabalhador, empresário. Mas o pior de tudo foi a morte de 690 mil brasileiros.
    Tivemos também um foco muito forte na imunização e foi gratificante liderar, durante muito tempo, a vacinação no País, porque a vacina não tem partido, lado A ou B. Ela é ciência. E a vacina é o principal mecanismo de defesa contra a doença.

CC: Que obras, projetos ou programas de seu governo voltados para a região de Corumbá e Ladário o senhor destacaria?
RA: Fizemos parcerias com os 79 municípios e não foi diferente com Corumbá e Ladário. Em Corumbá, são inúmeras obras, como o Pronto-Socorro da Santa Casa, que está sendo concluído; a pavimentação da avenida Nossa Senhora das Mercês; o Conjunto Padre Ernesto Sassida; MS-423 e MS-228; recapeamento de avenidas e ruas; e 1.294 moradias entregues. Isso sem contar o “Ilumina Pantanal”, que foi escolhido como o melhor projeto de energia solar do mundo. Não é diferente em Ladário. Entregamos pavimentação e recapeamento de diversas ruas; 83 moradias; além das famílias beneficiadas pelo Mais Social e pelo Energia Social.

Para Reinaldo, responsabilidade é seu maior legado para MS
Reinaldo em visita as obras do novo Pronto Socorro de Corumbá, governador entrega nessa terça-feira, 20 de dezembro. (Foto: Renê Márcio Carneiro/PMC)

CC: O novo Pronto-Socorro de Corumbá foi viabilizado durante sua gestão. Dá tempo de o senhor inaugurar a obra, ou deve ficar para seu sucessor?
RA: Sim. Vou inaugurar na próxima terça-feira, dia 20, esse novo pronto-socorro, em anexo ao Hospital de Caridade. São 3,6 mil metros quadrados de área construída, em um investimento superior a R$ 11 milhões do governo do Estado e contrapartida do município, com salas de emergência, ambulatório, enfermaria, receptivo e setor de triagem, além da reforma da Santa Casa com nova recepção, reestruturação do centro obstétrico e da enfermaria da maternidade, e ativação de mais 30 leitos. Essa nova estrutura em saúde, totalmente equipada, moderna, vai atender Corumbá e Ladário, além dos nossos irmãos bolivianos.

CC: Por falar em sucessor, o senhor entende que a eleição de Eduardo Riedel, ex-secretário de seu governo, foi um sinal de aprovação de sua gestão?
RA: Sim. Atacaram a nossa gestão durante toda a campanha eleitoral, mas a população soube reconhecer que as nossas políticas públicas deram resultado e o Eduardo Riedel participou de tudo isso. Tenho certeza de que Mato Grosso do Sul escolheu aquele que tem as melhores qualidades e competências para governar. A partir de janeiro, o governador é o Eduardo Riedel com sua equipe de governo.

Para Reinaldo, responsabilidade é seu maior legado para MS
Azambuja terminou mais de 200 obras inacabadas herdadas 

CC: O senhor disse que o governo de Riedel deve ser ainda melhor que o seu. A que atribui essa crença?
RA: Não tenho dúvida de que ele fará um governo melhor do que o meu porque vai pegar o Estado redondo, sem nenhuma casca de banana.

CC: Olhando estes oito anos em perspectiva, faltou executar alguma obra, projeto ou programa?
RA: Sempre há algo a ser feito ou aprimorado, mas acho que fizemos aquilo que propomos lá no começo, em 2014, com o apoio de toda uma equipe, da Assembleia Legislativa, dos prefeitos e dos vereadores.

CC: A partir de 2023, quais os planos? O eleitor pode esperar seu nome na urna já no próximo pleito?
RA: Já me deram vara de pescar, carretilha, caixa de pesca e isca artificial. Eu entendi o recado: vou pescar e curtir a família. Estarei recolhido, fazendo as minhas atividades privadas. Darei um tempo do trabalho na vida pública, após 26 anos.
 

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