Rosildo Barcellos
COP 15
Dom, 29 Março de 2026 | Fonte: Rosildo Barcellos
A realização da COP15 em Campo Grande demonstra um olhar com a conservação do Pantanal. A maior planície alagável do mundo e bioma reconhecido por sua biodiversidade é ponto logístico natural de parada para descanso e alimentação para 190 espécies de aves, que transitam do hemisfério norte (Canadá, EUA) até o extremo sul (região da Patagônia). Por outro lado, o tráfico de espécies silvestres está no pódio da criminalidade, atrás apenas do tráfico de drogas e armas. E a grande maioria é a de aves silvestres, notadamente periquitos, papagaios, araras e maritacas, na verdade, os três ultimos fazem parte de um grande grupo de aves, os Psittaciformes, chamados popularmente de aves de bico torto, e são os mais queridos por serem domesticáveis, dóceis e sugerirem proximidade a fala humana. Históricamente podemos considerar que a primeira importação de psitacídeos foi feita pela Europa em 327 a.C., quando um soldado do exército de Alexandre, o Grande, chamado Oneskritosde, resolveu levar para a Grécia algumas aves como lembrança, em seu retorno, após a campanha na Índia contra os Persas.
Entretanto mais do que a beleza e o encanto de ter um animal silvestre em casa, não coaduna com as vertentes atuais de entendimento ecológico e assim o Programa Papagaios do Brasil, lançado em 2017, tem o viés de integrar ações de conservação de seis espécies de papagaios com diferentes graus de ameaça: papagaio-verdadeiro; papagaio-charão, papagaio-de-peito-roxo, papagaio-de-cara-roxa, papagaio-chauá e papagaio-moleiro. Espécies que foram contempladas pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Papagaios. Essas aves, além do tráfico, sofrem com a redução de seus habitats naturais. o programa concentra suas atividades no dueto: informação e sensibilização das populações, asseverando atividades de educação para conservação da natureza, em pesquisas e no fortalecimento de ações de relacionamento entre o poder público, instituições privadas e do terceiro setor.
Todavia, a questão do tráfico de animais vai além do que aparentemente encontramos nos jornais. Perpassa por exemplo, pela “ Deep Web” ( camada da internet que não pode ser acessada através de mecanismos de busca), como o Google ou o próprio navegador que você usa, seja o Chrome, o Safari ou o Edge. Evidentemente, a deep web tem o seu lado bom”, que é a privacidade para troca de conteúdo e informações sigilosas, por exemplo. Mas também tem o lado dúbio, aonde se enquadra o tráfico de animais silvestres. No que denominamos de dark web, existem fóruns com discussões que vão de política internacional a técnicas de programação, porém, todos precisam de cadastro, que pode ser feito por meio do Tor Mail. Este é um serviço criado e totalmente mantido dentro da Onion (nome dado à rede), e possui encriptação robusta. A Internet aumentou a capacidade de compradores e vendedores dispostos a se encontrarem e se comunicarem com facilidade. Aumenta exponencialmente o volume do comércio internacional de vida selvagem.
É cediço que as espécies “cativas” habitaram diferentes biomas do país enquanto “nativas” e, além do tráfico, enfrentam a redução do seu hábitat, pela poluição e avanço desprogramado das favelas ( aumento demográfico). Isso posto, encerro afirmando que a preservação ambiental não é apenas tarefa exclusiva da polícia ou dos programas e projetos governamentais ou, sobremaneira, de muitos abnegados ambientalistas, mas sobretudo de cada cidadão, pois é o nosso futuro em questão !
* Articulista
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